sexta-feira, 30 de maio de 2008

Secom na gaveta do estudante

Seis meses se passaram desde a criação da Secom (pra quem não gosta de sigla: Secretaria de Estado de Comunicação) do Pará e nenhuma discussão em torno do que o novo órgão da comunicação do governo estadual pode representar para a sociedade paraense e faculdades de comunicação locais foi travada nesta academia. A escassez de debates entre os alunos de comunicação -um paradoxo absurdo-, aliás, é uma praxe que só compromete a qualidade de uma formação crítica, o que será aqui exposto em outra ocasião!! Por hora, tratemos da Secretaria.

A Secom do Pará foi criada no dia 21 de novembro do ano passado para substituir a extinta CCS (mais uma vez: Coordenadoria de Comunicação Social) do Pará na função de estabelecer e executar as estratégias de comunicação do governo estadual. Entretanto, a Secretaria empunha novas bandeiras, como a defesa da democratização e acesso à informação e o estímulo à participação da sociedade no debate das políticas públicas para o desenvolvimento do Estado, que mudam, pelo menos em tese, o perfil essencialmente instrumental que caracterizou sua antecessora.

Indícios dessa mudança (sim, eles estão entre nós...) podem ser encontrados em projetos como o Observatório da Comunicação da Amazônia e as Oficinas de Comunicação para a Cidadania, coordenados pela Secom. Enquanto o Observatório visa o estimulo de um debate social sobre o que se está fazendo em termos de comunicação no Norte do país, o Oficinas objetiva disseminar técnicas de comunicação alternativa - como grafitagem, rádio e jornais comunitários- em comunidades carentes de cinco municípios paraenses, a princípio.

Pauta comum dos projetos citados, a democratização do acesso à informação constitui um dos principais debates da comunicação brasileira, devendo ocupar, portanto, lugar privilegiado na agenda de discussões do meio acadêmico.

Não querendo bancar o outdoor da Secretaria, é preciso gritar a importância da participação dos estudantes de comunicação nas discussões que ela propõe. Se nos é aberto este espaço, aproveitemo-lo. Qual foi a presença dos universitários nos dois encontros até então realizados pelo Observatório? Nunca na história deste Estado (este discurso soa familiar?), a possibilidade de participação social na discussão das políticas públicas foi tão ampla –pelo menos em tese- e nós, como estudantes e pesquisadores da comunicação, cidadãos e o diabo a quatro, temos a possibilidade de participar da construção de políticas de comunicação, ação comunicativa e emancipação social. A gaveta do “NÃO DISCUTIDO” está aberta. Lá, em um cantinho coberto por sombras, a pasta Secom aguarda sua vez de entrar na pauta de uma remota discussão. Quem se habilita a tirá-la de lá?

POR KORUTEZU_KUN!

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